Entenda por que o cigarro eletrônico é um perigo para a saúde

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) é comprovado que o fumante de cigarro eletrônico está exposto a graves sintomas respiratórios, como asma e pneumonia. 

O fato de que os vapers (como é mais conhecido os dispositivos eletrônicos para fumar) podem ser manipulados pelos usuários, com doses maiores de nicotina, ou com aditivos não recomendados, vem sendo apontado como a provável causa das doenças pulmonares.

Além disso, os dispositivos atingem temperaturas entre 300 a 400º, o que leva a uma combustão incompleta das substâncias, com liberação de componentes químicos altamente tóxicos para o organismo. E a inalação desses produtos pode gerar quadros de insuficiência respiratória.

Segundo a pneumologista Renata Franco, presidente da Sociedade de Pneumologia da Bahia (SPB), quando as variadas substâncias químicas dos vapers são aquecidas, o fumante traga uma mistura tóxica, junto com a nicotina. 

“A maioria dos cigarros eletrônicos utiliza propilenoglicol (gelo seco) para a entrega da nicotina, enquanto os cigarros aquecidos utilizam glicerol. O aerossol destes dispositivos libera partículas finas, de baixo peso molecular, que representam riscos para danos respiratórios e vasculares”, explica.

 

Em curto prazo os usuários podem desenvolver esses problemas:

• Diminuição da função pulmonar

• Maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e aumento do risco de crise de angina

• Danos ao sistema imunológico

 

 

E há relatos, ainda, de maior incidência de convulsões entre os usuários adolescentes, outro fator preocupante, conforme explica a presidente da SPB.

“O cigarro eletrônico foi lançado como uma alternativa de redução de danos para o público que já era fumante do cigarro comum e não conseguia parar. Porém, o consumo de vapers tem aumentado entre adolescentes, jovens adultos, e pessoas que nunca fumaram, mas são atraídas pelas essências adicionadas com sabores variados”.

Segundo ela, essas essências são proibidas para uso inalatório. Geralmente são permitidas apenas para alimentos e cosméticos, conforme determinação do Food and Drug Administration (FDA), agência federal de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, com autoridade reguladora.

 

Proibido

No Brasil, desde 2009 a Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) proibiu a produção, distribuição e comercialização de todo e qualquer produto classificado como dispositivo eletrônico para fumar (DEF), contendo ou não nicotina e tabaco, conforme a resolução RDC 46/2009.

Mas na prática é fácil conseguir comprar pela internet, tantos os vapers quanto as essências (ou juices), apesar da Anvisa informar que possui uma equipe de fiscalização que monitora a internet regularmente. Nos últimos dois anos a agência sanitária retirou centenas de publicidade de cigarros eletrônicos

A agência também atua com fiscalização em estabelecimentos que têm lojas físicas, além de ter o apoio de órgãos policiais e da Receita Federal para identificar produtos ilegais e adotar medidas de combate à venda ilícita.

Na opinião dos pneumologistas, a norma em vigor da Anvisa se mostra mais eficaz, quando comparada à estratégia de liberação adotada por alguns estados nos EUA, que vem enfrentando uma epidemia de consumo de cigarro eletrônico. “Proibir o uso destes dispositivos é uma forma de regular e proteger adolescentes e jovens brasileiros”, concorda a presidente da SPB.

O Centers For Disease Control and Prevention (CDC), o órgão responsável pelo controle e prevenção de doenças nos EUA, emitiu um alerta sobre doenças pulmonares severas associadas ao uso do e-cig2. O modelo Juul, com formato semelhante a um pen-drive, contém sais de nicotina com altíssimo potencial de dependência.

Atualmente, os Estados Unidos registram perto de 1.000 casos com quadros respiratórios graves, e 19 mortes já foram confirmadas pelo CDC.

 

O que é o cigarro eletrônico

É um dispositivo eletrônico que tenta imitar, em forma e função, um cigarro comum. Para isso, o aparelho é dividido em três partes principais: cartucho (filtro), parte eletrônica e bateria. Além disso, muitos modelos ainda oferecem uma luz na ponta, simulando a brasa.

Estudos indicam que uma porcentagem dos fumantes fuma por hábito (aspecto psicológico), mais do que por vício (efeitos da nicotina).  E é com base nesses estudos que os produtores de e-cigarette se baseiam para vender os produtos.

Eles afirmam que os cigarros eletrônicos são apenas recreativos, pois a quantidade de nicotina utilizada é menor do que o necessário para viciar uma pessoa e, além disso, os DEF podem ajudar a combater o vício já que as doses de nicotina podem ser diminuídas com o decorrer do tempo.

Mas não existem padrões na fabricação e, inclusive, alguns cartuchos possuem nicotina em altos volumes.

A presidente da SPB alerta que o cigarro eletrônico não se mostra eficaz no objetivo de fumar menos ou parar de fumar, uma vez que é mantido o hábito de tragar, o que faz o usuário manter a dependência comportamental, além de ser um risco para a dependência da droga, se usadas altas doses de nicotina. “Como a nicotina pode ser controlada pelo usuário, isso se torna um problema, uma vez que a nicotina é a substância que vicia”.