Estresse no ambiente de trabalho

Especialistas alertam que o estresse crônico e o burnout representam uma ameaça grave à saúde, mas com uma abordagem consciente, de empresas e indivíduos, é possível amenizar os danos.

 

O estresse é, hoje, um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, atingindo cerca de 70% da população ativa, segundo a International Stress Management Association (ISMA-BR). O estresse crônico não só interfere no bem-estar, mas agrava ou causa doenças, incluindo distúrbios digestivos, insônia e doenças cardíacas, além de reduzir a imunidade e aumentar o risco de ansiedade e depressão.

 

Estresse e burnout

No ambiente corporativo, o estresse crônico e o burnout representam uma ameaça à saúde mental dos funcionários, mas com uma abordagem consciente, que envolva empresas e indivíduos, é possível amenizar os danos, conforme destaca a psiquiatra e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Dra. Amanda Galvão de Almeida. “É essencial adotar uma abordagem preventiva, e o ambiente de trabalho desempenha um papel fundamental nesse processo.” Ela destaca que as empresas precisam implementar políticas que promovam o autocuidado e previnam a sobrecarga de trabalho e o assédio. “O apoio emocional corporativo pode ser decisivo para proteger a saúde mental dos funcionários. Criar salas de bem-estar e programas de mindfulness ajudam a reduzir o estresse ocupacional”, reforça a psiquiatra.

 

A resposta do corpo ao estresse

Diante de um estresse contínuo, o corpo se adapta, ativando o sistema de “luta ou fuga”, o que, em uma situação prolongada, gera sobrecarga. Dra. Amanda explica que a exposição constante a estressores mantém elevados os níveis de cortisol e adrenalina, levando à pressão arterial elevada e predisposição a condições, como o diabetes. “Esse estado de alerta pode se tornar crônico e desregular importantes sistemas corporais, resultando em ansiedade e depressão, além de comprometer o sistema imunológico”, explica a especialista.

 

O impacto na saúde cardiovascular  

“A exposição prolongada ao estresse aciona continuamente mecanismos neuroendócrinos que afetam o sistema cardiovascular”, explica o cardiologista e coordenador do Centro de Terapia Intensiva do Hospital Mater Dei em Salvador, Dr. Mário de Seixas Rocha, destacando que o estresse crônico aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, ampliando o risco de eventos cardíacos agudos​, além de favorecer a aceleração do processo aterosclerótico, piorando a disfunção endotelial e promovendo alterações no metabolismo lipídico. De acordo com o médico, esses fatores contribuem diretamente para o surgimento e agravamento das doenças coronarianas, além de induzir um estado de inflamação sistêmica que compromete a saúde cardiovascular​.

Atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado são estratégias que a psiquiatra recomendada para o controle do estresse. “Cada indivíduo deve identificar suas principais fontes de estresse e adotar práticas de relaxamento, como a meditação e o contato social. Em casos mais graves, buscar apoio de um profissional de saúde mental pode ser essencial para o restabelecimento do equilíbrio”, orienta.

 

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